Blog do Dr. Marcelo Mariano da Silva

08/09/2009

Participação do Dr. Marcelo Mariano da Silva, Médico neurologista no Bom dia Parana Sobre o A importancia do Sono


Escrito por Dr. Marcelo Mariano da Silva às 20h26
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ENXAQUECA - PARTE 2

 

Dr. Marcelo Mariano da Silva

 

   Tratamento farmacológico

a.    Deve ser feito sempre pelo médico! Cerca de 60% dos pacientes procuram auxilio. E este tratamento pode ser desdobrado em sintomático e profilático.

b.    Tratamento sintomático: O uso de analgésico deve ser feito com critério e o médico tem a obrigação de instruir o paciente aos riscos do uso prolongado e/ou abusivo dessas drogas. O analgésico deve ser usado logo no inicio da crise, habitualmente associado a drogas gastrocinéticas e antieméticas. Em pacientes com crises fracas e moderadas e praticamente virgens de farmacoterapia, pode-se iniciar com analgésicos comuns (paracetamol, dipirona, AAS), com doses geralmente próximas da dose máxima.  Outra opção é o uso dos AINEs (antiinflamatórios não-esteroidais), sendo os principais representes: Clonixinato de lisina (Dolamim®); Ibuprofeno (Alivium®); Naproxeno (Naprosyn®).

Nas crises mais intensas pode-se lançar mão de drogas especificas, classificadas em não seletivas (derivados do ergot) e seletivas (triptanos). Entre os não seletivos medicamentos os comercialmente conhecidos são: Cefaliv, Cefalium, Tonopan, Ormigrein, Migraliv, sempre lembrando no seu uso da contra indicação em pacientes com doenças vasculares e o risco a longo prazo de abuso pelos pacientes levando a “síndrome da dependência a ergotamina” e “cefaléias rebotes”.

As drogas seletivas (triptanos), estão disponíveis no mercado em várias apresentações (oral, injetável, spray nasal e sublingual). O mais conhecido é o sumatriptano (Sumax ®) disponível em comprimidos de 25, 50 e 100 mg. Sendo contra-indicado em doentes coronarianos.

Além do citado, em ambiente hospitalar, nas crises de difícil controle e/ou prolongadas algumas estratégias podem ser consideradas, como o uso da clorpromazina um excelente antiálgico e antiemético, numa dose de  0,7ml/kg de peso, respeitando a dose máxima de 50 mg, diluída em 250 ml de Soro Fisiológico e infundida em 2 horas.

c.    Tratamento profilático: tem como objetivos: aliviar o paciente do sofrimento e com isso melhorar sua qualidade de vida: evitar sua incapacidade temporária (física e intelectual) e, sobretudo, evitar o uso prolongado (e, as vezes, abusivo) de analgésicos. Os critérios fundamentais para inicio do tratamento profilático são: freqüência, duração e intensidade das crises. De modo geral pacientes com mais de 3 crises/mês, entretanto crises de longa duração (2-3 dias) e de grande intensidade podem justificar.

A escolha da droga é baseada no perfil do paciente, possibilidade de aproveitar alguns efeitos colaterais da medicação como beneficio ao paciente.  Inicia-se sempre com doses extremamente pequenas e gradativamente ao longo do tratamento ajusta a dose para que o paciente tem uma boa resposta com mínimo de efeitos colaterais. O tempo de uso varia em média de 6 a 12 meses, dependendo do paciente e da droga escolhida.

As classes de drogas disponíveis e com efeitos comprovados são: Betabloqueadores (Propanolol); Triciclicos (Amitriptilina, Nortriptilina, Maprotilina); Anticonvulsivantes (Valproato de Sódio e Topiramato); Bloqueadores de Canal de Calcio (Flunarizina).

 

Bibliografia:

Olesen J. The International Classification of Headache Disorders, 2nd edition. Cephalalgia 2004;24(Suppl 1):S9-S160.

FUKUI, Patrícia Timy et al . Trigger factors in migraine patients. Arq. Neuro-Psiquiatr.,  São Paulo,  v. 66,  n. 3a, set.  2008 .

Bigal ME, Fernandes LC, Bordini CA, Speciali JG. Custos hospitalares das cefaléias agudas em uma unidade de emergência pública brasileira. Arq Neuropsiquiatr. 2000;58(3A):664-70.

Recomendações para o tratamento da crise migranosa. Arq. Neuro-Psiquiatr.,  São Paulo,  v. 58,  n. 2A, jun.  2000

 


Escrito por Dr. Marcelo Mariano da Silva às 20h10
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Enxaqueca

 

Dr. Marcelo Mariano da Silva*

 

Se alguma vez você teve um sorrisinho irônico ao saber que um colega faltou ao trabalho por estar com enxaqueca, saiba que isso não é uma desculpa esfarrapada. Um estudo epidemiológico nacional realizado pela Sociedade Brasileira de Cefaléia, sobre  enxaqueca que estudou mais de 3800 pessoas, revelou que a população brasileira tem 15,2% de enxaqueca e 6,9% de cefaleia crônica diária. É a segunda doença que mais provoca faltas ao trabalho, atrás apenas da lombalgia. Suas vítimas perdem, em média, cinco dias anuais de trabalho, estudo ou lazer, está entre uma das 5 principais causas de consultas médicas em Pronto Atendimentos.

 Não é apenas uma dor de cabeça, mas sim uma doença neurológica, cuja fisiopatologia envolve um forte componente genético levando a uma anormalidade no funcionamento neuroquímico, tendo a serotonina como pivô do quadro, predispondo assim o paciente a crise enxaquecosa

Classificamos  de modo geral a enxaqueca em duas grandes variantes: Com aura e sem aura.  Lembrando que aura é o complexo de sintomas neurológicos que acontece imediatamente antes ou no início da crise. Dura de 5 a 60 minutos, sendo totalmente reversível, podendo ser sintomas visuais e/ou sensitivos e/ou da fala.

De acordo com os critérios de 2004 da Sociedade Internacional de Cefaléia, a definição de enxaqueca é:

- Cefaléia recorrente manifestando-se em crises que duram de 4 a 72 horas. Com características típicas da dor como: localização preferencialmente unilateral, de caráter pulsátil, de intensidade forte ou moderada; com exacerbação por atividade física rotineira e associação com náusea e/ou foto e fonofobia. Além disso deve ter  no mínimo 5 crises preenchendo os critérios acima.

O manejo terapêutico do paciente deve ser diferenciado, isto significa que devemos tratar o enxaquecoso  e não a enxaqueca. Embora os fármacos sejam o principal, é preciso considerar que o paciente em um meio ambiente e que reage aos mais diversos estímulos de maneira peculiar. Quando não adotamos esta medida, um grande de número de  pacientes acabam evoluindo para Cefaléia Crônica Diária e/ou Cefaléia por Abuso de Analgésicos, quadros extremamente difíceis de tratamento e com sérias repercussões físicas, sociais e econômicas.

Neste sentido desdobramos o tratamento em três itens:

1)    Esclarecimento

a.    Informar ao paciente de modo claro a doença que ele tem, lembrando sempre de desfazer  os medos em relação a doenças consideradas pelos como “mortais”, tais como  tumores, aneurisma, infecções e etc. Esclarecer o que pode ser feito de tratamento e como será feito

2)    Medidas Gerais

a.    Conhecer o perfil psicológico, hábitos de vida, fatores desencadeantes da crise e a influência da doença na sua qualidade de vida. Diante disso existem situações que podem agravar e até mesmo desencadear as crises, e o médico deve junto com o paciente tentar identificar estes fatores, e estabelecer que o paciente uma moderação em todos os hábitos de vida. Fatores que podem atuar como deflagradores ou agravantes da crise: 1) jejum prolongado; 2) exposição prolongada ao sol; 3) tensão emocional; 4) alimentos que contenham tirosina e tiramina (queijos amarelos, defumados, embutidos) 5) chocolate 6) álcool, 7) privação da cafeína nos indivíduos que consomem grandes quantidades de café durante a semana e não repetem a ingestão durante o fim de semana 8) distúrbios do sono; 8) alguns odores como perfumes, poluição, cigarro; 9) alguns medicamentos vasodilatadores; 10) fatores hormonais em 60% das mulheres.


Escrito por Dr. Marcelo Mariano da Silva às 20h09
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A Importância do Sono na qualidade de Vida

Dr. Marcelo Mariano da Silva, Médico Neurologista

Quem já acordou no meio da madrugada e depois não conseguiu dormir novamente? Ou então teve sonolência excessiva durante o dia? Cansaço persistente, irritação, falta de atenção e queda de rendimento. Esses comportamentos, facilmente tachados de preguiça na escola ou no trabalho podem, na realidade, ser resultado de distúrbios do sono. E as conseqüências não param por aí: levam até ao risco de doença cardiovascular e depressão.

Saiba que conforme dados da Sociedade Brasileira de Neurofisiologia, Academia Brasileira de Neurologia e Associação Brasileira do Sono, estudo realizado com 22 mil pessoas em 11 cidades no Brasil em 2007, mostram que 50% dos brasileiros sofrem de algum distúrbio do sono, 30% roncam demais, 19% tem insônia e 4% sofrem de Apnéia do Sono.

A interferência do sono na sociedade reflete ainda nos acidentes de trânsito conforme dados da Policia Rodoviária Federal (PRF) e do Comando de Saúde nas rodovias, programa educativo e de prevenção da PRF, cerca de 10% dos motoristas tem algum tipo de distúrbio do sono e em média oito acidentes de trânsito acontecem todos os dias nas rodovias federais do Brasil provocados pela sonolência ao volante.

De acordo com estudos, ficar sem dormir no período de 24 horas equivale à concentração sanguínea de 0,10g/l de álcool no corpo. A privação de uma noite de sono é mais prejudicial do que os níveis alcoólicos considerados inaceitáveis pelos órgãos de trânsito.

Além disso, segundo um estudo da Universidade de Harvard, uma pequena quantidade extra de sono ajuda no processo de aprendizagem. A equipe de pesquisadores de Harvard verificou que pessoas que aprenderam tarefas novas e depois dormiram bem, obtiveram melhores resultados nessa função no dia seguinte.

Pesquisas ainda mostram que noites mal dormidas associadas ao estresse podem levar a ganho de peso, isso porque quando dormimos bem nosso cérebro produz um hormônio chamado leptina, substância ligada a diminuição do apetite.

Com isso confirmamos que o sono é uma função biológica fundamental para o bem estar físico e psicológico ajudando a recuperar forças, a rejuvenescer as células, fortalece as nossas defesas, o sistema imunológico, e como é obvio aumenta a nossa boa disposição, é ainda uma grande ajuda para quem quer manter a linha, pois o sono ajuda a controlar a fome.

O sono tem diferentes fases. O chamado sono REM (Rapid Eye Moviment – Movimentos Oculares Rápidos) é o do sonho. Os grandes músculos do corpo ficam paralisados para evitar a vivência. O sono NREM (que não tem os movimentos oculares) é composto de quatro estágios, sendo 1 o mais superficial e 4 o mais profundo. Imagens mentais podem surgir nessa etapa; no entanto, não há conteúdo. Durante toda a noite, os estágios se intercalam, fazendo com isso ciclos. Qualquer alteração na duração ou freqüência dessas fases levam a distúrbios no sono.

Basicamente há três grandes grupos de distúrbios do sono:

1)      insônias;

2)      sonolência excessiva;

3)      comportamentos anormais durante o sono.

 

Dez dicas que chamamos de higiene do sono, que ajudam a garantir uma boa noite de sono.

 

1. Horário regular para dormir e despertar.

2. Ir para a cama somente na hora dormir.

3. Ambiente saudável.

4. Não fazer uso de álcool próximo ao horário de dormir.

5. Não fazer uso de medicamentos para dormir sem orientação médica.

6. Não exagerar em café, chá e refrigerante.

7. Atividade física em período adequados e jamais próximo à hora de dormir.

8. Jantar moderadamente em horário regular e adequado.

9. Não levar problemas para a cama.

10. Atividades repousantes e relaxantes após o jantar.


Escrito por Dr. Marcelo Mariano da Silva às 20h07
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Quando a Mémoria Falha !

21 de Setembro – Dia Mundial da Doença de Alzheimer

Dr. Marcelo Mariano da Silva, Médico Neurologista

 

Doutor, tenho reparado que minha mãe tem tido dificuldade constante em se lembrar de coisas simples que conversamos do dia a dia, de recados, o humor dela mudou!  Esta é uma afirmação  freqüente de familiares de pessoas  que iniciam com Alzheimer.

Trata-se da destruição progressiva dos neurônios. A devastação começa no hipocampo, a área onde se processa a memória e, com o tempo, se alastra por outros cantos do cérebro. Por isso, ficam comprometidas funções cognitivas essenciais, como a gravação das lembranças e a orientação do indivíduo no tempo e no espaço. Pode manifestar-se já a partir dos 40 anos de idade, mas a partir dos 60 sua incidência aumenta a ponto que aos 85 anos de idade praticamente metade dos indivíduos apresentará a doença. No  Brasil estima-se em 1 milhão e 200 mil pacientes. A predisposição genética e o próprio envelhecimento são seus principais fatores de risco. Além disso, a ciência vem demonstrando que as condições responsáveis pelos distúrbios cardiovasculares contribuem para a degeneração dos neurônios. Ou seja, gordura abdominal em excesso, diabetes, colesterol nas alturas e pressão arterial elevada podem dar um bom empurrão.

Muitas vezes os sintomas da doença, especialmente nas fases iniciais, são considerados como próprios do envelhecimento. Na grande maioria dos casos o primeiro sintoma é a perda de memória para fatos recentes. As lembranças recentes tendem a se evaporar num piscar de olhos. O indivíduo não consegue fixar nem um recado. Além da memória, alguns portadores apresentam alterações de comportamento, dificuldades de concentração e tendem a manter-se  em pensamentos distantes da realidade. Muitos perdem a capacidade de julgamento e a orientação no tempo e no espaço. Com o progresso da doença, o indivíduo pode tornar-se depressivo e viver com alucinações.

O diagnóstico é baseado na própria história do paciente. São avaliados os sintomas e, para afastar a possibilidade de outra doença que leve a demência, costumam ser solicitados exames de sangue e imagem, como ressonância magnética do cérebro.

E o tratamento? Em primeiro lugar, é importante deixar claro que a doença ainda não tem cura nem o quadro pode ser revertido. Mas existem medicamentos que barram o seu avanço. A prevenção ainda é palavra controversa. O que já se sabe, no entanto, é que botar a cabeça para funcionar é regra básica para protegê-la. Manter a massa cinzenta ativa — exercitando-se intelectualmente, trabalhando e interagindo com outras pessoas — aumenta as chances de se ver livre do mal. Conservar uma dieta equilibrada, com menos gordura e açúcar, praticar atividades físicas e tomar cuidados extras com a glicemia e a pressão arterial são medidas importantes. Existe uma dúvida muitas vezes das pessoas que é: até que ponto a perda de memória em razão da idade é normal? O envelhecimento torna a memória, digamos, menos afiada. Isso é natural e não deve preocupar. Vale esclarecer também que, independentemente da faixa etária, qualquer indivíduo está sujeito aos “brancos” e dificuldades de recordar uma data ou um nome. O sinal de alerta deve ser acionado no momento em que as perdas de memória tornam-se freqüentes e passam a atrapalhar a rotina. Isso acontece, por exemplo, quando a pessoa vai ao supermercado e não sabe como voltar de lá. Ou, então, quando ela se esquece como se prepara aquele prato de sempre. Paulatinamente, vem esquecimento atrás de esquecimento. Na suspeita da doença, o médico neurologista clinico é o profissional capacitado para diagnóstico e tratamento dessas pessoas.

 


Escrito por Dr. Marcelo Mariano da Silva às 20h05
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