Blog do Dr. Marcelo Mariano da Silva

27/07/2009

Mecanismos que deflagram a enxaqueca

Biólogos finalmente começam a desvendar os mistérios da enxaqueca, do prenúncio à dor
por David W. Dodick e J. Jay Gargus

Para mais de 300 milhões de pessoas que sofrem de enxaqueca, a dor lancinante característica dessa cefaléia debilitante dispensa descrição. Para os que não sofrem com ela a comparação análoga mais próxima talvez seja o mal-estar severo provocado pela altitude: náusea, fotossensibilidade extrema, e uma cefaléia insuportável. “O fato de não se morrer de enxaqueca, para aquele que experimenta o auge de sua crise, soa como um bênção ambígua”, escreveu Joan Didion, em 1979, no conto In bed (Na cama), de sua coletânea The white album.

Registros históricos indicam que essa doença está entre nós há pelo menos 7 mil anos e continua uma das mais incompreendidas, menos reconhecidas e mais inadequadamente tratadas condições médicas. De fato, muitos não buscam tratamento para pôr fim à sua agonia, certos de que os médicos não podem fazer muita coisa ou que se mostrarão céticos e hostis. Didion escreveu In bed há quase 3 décadas, mas alguns médicos continuam tão insensíveis hoje quanto à época, ou seja: “Se não tenho um tumor cerebral, nem cansaço ocular, nem hipertensão, então, está tudo bem comigo: eu simplesmente sofro de enxaqueca e cefaléia; e enxaqueca e cefaléia, como todos sabem, são imaginárias”.

A enxaqueca, finalmente, começa a receber a atenção que merece. E parte dessa atenção é resultado de estudos epidemiológicos que revelaram o quanto essas cefaléias são incapacitantes: um relatório da Organização Mundial da Saúde descreveu a enxaqueca como uma das quatro doenças crônicas mais comprometedoras. E uma outra preocupação se deve ao reconhecimento de que essas cefaléias e suas conseqüências custam à economia americana, por exemplo, US$ 17 bilhões por ano, para cobrir faltas no trabalho e despesas médicas.

Grande parte do crescente interesse é resultado das novas descobertas genéticas, do imageamento do cérebro e da biologia molecular. Embora de natureza bem distinta, essas descobertas parecem convergir e reforçam umas as outras, trazendo esperanças aos pesquisadores de poder determinar a fundo as causas da enxaqueca e desenvolver terapias avançadas para preveni-la ou conter o seu ataque.


Escrito por Dr. Marcelo Mariano da Silva às 18h50
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Cirurgia cerebral beneficia memória de doente epiléptico

CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo 24/07/09

Um estudo da UnB (Universidade de Brasília) mostrou que pessoas com epilepsia grave e que não respondem aos medicamentos conseguiram melhorar o desempenho cognitivo e reduzir as crises epilépticas após passarem por cirurgia que retira parte do cérebro.

Os resultados foram obtidos a partir de testes inéditos, desenvolvidos pelo Laboratório de Neurociência da UnB. Estima-se que de 1% a 2% da população mundial sofra de epilepsia. Em São Paulo, a prevalência é de 12 casos para cada grupo de mil habitantes.

A epilepsia provoca descargas elétricas no cérebro, que podem gerar vários problemas, a depender da região afetada. Quando a doença se manifesta numa região chamada lobo temporal mesial, há prejuízos na memória emocional e espacial. As pessoas têm dificuldade para armazenar e evocar informações que envolvem emoções ou orientação espacial.

Grande parte dos pacientes consegue controlar a doença com uso de antiepilépticos, mas ao menos 20% deles não se beneficiam com a medicação e podem ser candidatos à cirurgia para a remoção do foco das descargas elétricas.

Segundo o neurocirurgião Arthur Cukiert, do Hospital Estadual Brigadeiro, em São Paulo, vários estudos têm demonstrado os benefícios da cirurgia para esse tipo específico de paciente (com epilepsia do lobo temporal mesial).

"A cirurgia pode ser realizada com segurança, com risco menor que 0,5% e bom resultado em relação às crises. As taxas são de 94% de cura e de 50% de melhora da memória." A cirurgia é financiada pelo SUS.

Estudo

Durante o estudo da UnB, foram aplicados testes neuropsicológicos em três grupos: 20 pacientes com a epilepsia grave no lobo temporal mesial, 21 pessoas sem a doença e outros 20 pacientes que haviam passado por uma cirurgia do lobo temporal mesial (lobectomia unilateral), 16 meses após o procedimento.

A pesquisadora Lara De Vecchi Machado, que desenvolveu o estudo, explica que foram exibidas fotografias de faces que denotavam reações emocionais. O paciente deveria se lembrar de uma fotografia vista anteriormente, identificar uma das oito emoções possíveis e diferenciá-la de outra fotografia.

No teste que tratava de memória espacial, o paciente avaliava fotografias de um objeto em diferentes posições na tela. O objeto iniciava num determinado local e reaparecia em até oito outras posições. O paciente deveria apontar até nove locais onde o objeto esteve.

Os pacientes com epilepsia tinham dificuldade nesse teste de memória espacial e conseguiam identificar, em média, três posições. Já os pacientes que passaram pela cirurgia cerebral tiveram um resultado semelhante ao do grupo de pessoas sem a doença -com uma média de seis a sete acertos.

Segundo Lara Machado, a melhora da função cognitiva após a remoção do foco epiléptico ocorre em razão do controle das crises. "A descarga epiléptica é mais prejudicial para o funcionamento cerebral do que a própria remoção [do lobo], pois o outro lobo temporal mesial pode processar os estímulos emocionais e espaciais e melhorar a função sem a interferência da descarga epiléptica, permitindo a plasticidade cerebral", diz ela.

Estruturas

O lobo temporal mesial, uma parte interna do lobo temporal, tem duas estruturas importantes para a memória: hipocampo, responsável pela memória espacial, e amígdala, que avalia informações emocionais.

Essas estruturas estão presentes nos dois hemisférios cerebrais. A cirurgia indicada para os pacientes com epilepsia nessa região específica extrai o foco epiléptico no lobo temporal mesial de apenas um dos hemisférios, aquele não dominante para a linguagem.

 


Escrito por Dr. Marcelo Mariano da Silva às 18h47
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